segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Grotesque (poesia)




Ela tava sentadinha à mesa
Sua estatura diminuta denunciava sua pouca idade: no máximo 11, 12 anos
De rosto virado e cabelos a lhe cobrir a face
Pedi gentilmente que ela me cedesse a mesa

Quando ela se virou para falar comigo
E revelou a deformidade grotesca em seu rosto
Na hora só pude falar “deixe pra lá e fique aí”

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Naquela mesma noite sonhei com a
Menininha da cara de cachorro

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Carne (poesia)




19 anos. Profissão: churrasqueiro
Do seu ofício fazia seu meio de sustento; um laboral dos bois: esfaqueando-os, dilacerando-os... Enfim, um artista anti-vegan
Mas ser churrasqueiro não é motivo de pompa ou glamour
Josevaldo, literalmente, trocava horas na frente de uma fumegante churrasqueira
repleta de carne de boi, frango e suíno por uma quentinha


Igual churrasqueiro a ele existiam milhares de outros
Bastava diferençar os cortes de carne e manejar bem o fogo para assar e pronto:
estava batizado com juras e tudo o mais na escola do churrasco e da vida


Ele estava noivo dela
Perspectiva zero de um futuro promissor; ele nem tinha cartões de crédito, nem crediário nas lojas da sua cidade
E ela cobrava: e o fogão? e a tv de plasma?
Ele, Josevaldo, dava de ombros, falava “foda-se” e ia comprar carvão


Mas ele gostava de sua noiva e nutria por ela um tesão gigantesco
Um dia ele, num afã, pegou de um pincel atômico
E aproveitando do sono dela começou a tracejar o corpo dela todinho
- tal qual uma vaca –
E a escrever com seu português rude os nomes das peças de carne no corpo moreno dela:
“Picanha”, “Músculho”, “Filé”, “Largato”, “Contrasfilé” etc.

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Ele comeu-a até fartar-se

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Francisco & Zippo (poesia)




            Ninguém perde um isqueiro caro. Pelo menos até essa poesia acabar. Prometo uma pequena epifania que vai arrombar a primeira afirmação que fiz aqui.


            Claro que fumar é gostoso. O cigarro, a fumaça, o pigarro. Isso é uma obviedade que nem se precisa falar. Ruim mesmo é ter que largar o lar montado para consubstanciar a triste sina dos homens: não levar nada de material quando da sua casa ele sai.


            Claro que há exceções: roupas e computadores pessoais, câmera fotográfica e uma ou outra bobagem. Mas nem o Zippo o cara leva. Na verdade quem cantou essa epifania pela primeira vez foi o Buarque de Holanda em “A Rita” e em “Trocando em Miúdos”. Eu só fiz uma tradução contemporânea do sentimente dele: o homem só se fode.




segunda-feira, 30 de julho de 2012

Chiens et dames pour des rues (poesia)




(Essa poesia falará de merda em rima e em verso)



Moro numa rua onde há um probleminha
E em outras ruas de minha cidade quiçá em todo o Brasil
O mesmo probleminha também há



Eu tenho que andar aos pulos e aos clicados de pés
Caso em bosta de cachorro eu não queira a vir pisar.
Cruel destino darei às minhas sandálias ou ao meu All Star
Certo de que em merda irei ter um triste revés



Engraçado são as madamas (ou as domésticas) quando com seus cachorros
Passeiam por aí. Elas torcem seus narizinhos para o ar
Ou fazem cara de quem não vê
Que seu animalzinho está a sujar
Todo o calçamento por onde pedestres
Irão passar e cujos pés cocô irão antever



Triste, triste.... Custa à pessoa sair com uma bolsinha plástica

terça-feira, 19 de junho de 2012

O aforismo da pornografia (texto)




Quem há de condenar algum tipo de pornografia? Pórnos é uma instituição tão antiga quanto à humanidade o é. O conjunto completo de “perversões” que fogem do campo do inteligível ao consciente coletivo é tachado de “pornografia”. Mas o que é o “campo do inteligível”? E o que o “consciente coletivo” tem a ver comigo ou contigo? Claro que para uma pessoa que não pratica sexo com mais de uma pessoa por vez, a idéia de menáges à trois (e bacanais, surubas e afins) pode parecer inconcebível. Sexo oral – prática sexual normalíssima, quase que obrigatória – para algumas pessoas é uma prática disgusting. Em sexo sou alguma coisa liberal e heterodoxo. Não sou “full”  em safadeza, mas sei ser tolerável ao aceitar que existem pessoas que gostam de urinar ou defecar em seus parceiros. Pessoas que gostam de apanhar, bater, deixar-se humilhar etc. Não sou eu quem vai dizer se isso ou aquilo é prática considerada fora dos padrões psicológicos não-doentios, afinal fetiche não se explica, executa-se. Vou imprimir minha opinião sobre uma prática que considero abominável: pedofilia e sexo com pessoas não-dotadas de livre arbítrio. O resto, de zoofilia a necrofilia, é permitido desde que você, leitor zoófilo ou necrófilo, não venha a foder meu cachorro ou meu cu post mortem.

 O aforismo, ei-lo: no amor e no sexo vale tudo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Meus cachorros, meus tesões (poesia)





Sonhava em ser estuprada e isso lhe causava torpores
Estuprada por um cachorro
Um labrador da verga gigante
“que tipo de pessoa eu sou”, ela se auto-perguntava
“uma pessoa normal” respostava-lhe a parte boa do seu subconsciente


Do sonho à realidade: não tinha labrador, nem foda zoófila onírica
Perto do trabalho dela, numa rua lateral, uns 10 cachorros vagabundos
Desses mais reles e sarnentos vira-latas
Espreitavam à estreita
Uma cachorra com tetas “balangantes”, enormes
E vagina estuporada para fora
Indício de que a vida lhe fora muito dura, quiçá duríssima


Ela (a cachorra) está no cio
Liberando no ar aquele feromônio gostoso de “tou pronta”
E ela (garota do labrador) fez um carinho e deixou-a (a cachorra) esfregar-se em si
De forma que ao passar pela matilha de cães vadios
O cheiro da cachorra imiscuiu-se com o 212 da garota e confundiu a porra toda


Logo 7 ou 8 cachorros começaram a andar apressadamente atrás da moça
Que, coitada, e nervosa começou a correr, claudicante
E quanto mais ela embalava velocidade, mais ligeiros eram os cães
Que a essa altura ouriçavam-se pelo cheiro e mostravam todos
Picas rosadas cobertas com um esmegma de outrora


Nervosa e muito consternada pelo vexatório
Ela foi ao chão e a matilha cercava-a
Por um segundo ela se lembrara do seu labrador
No segundo depois ela empinou a bunda o mais que pode e arregaçou a calcinha de lado
Deixando à mostra sua buceta mal depilada e pronta para ser fodida pelos cães
Mas quando os mesmos sentiram o cheiro do Vagisil
Cheiro ululante que nada significava para cachorros
Todos eles fizeram cara de nojinho e saíram dali
Deixando-a empinada e sem direito à vara  

sábado, 19 de maio de 2012

Quero te dar (poesia)




Quero te dar "bom dia" fazendo sentir meu hálito de quando acordo em suas narinas
Quero te amassar todinha com meus abraços
Quero ser volúpia
Quero-te


Queria me entregar para você
Queria ser seu e estar dentro de ti – completamente e completando-te
Queria encher-lhe a boca com meus fluidos e seus ouvidos com palavras de encanto
Queira-me


Querer você?
Quero você
Querer-te-ia?
Te amo (foda-se a ênclise)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

poc, poc (poesia)

para Laila



Meu saco, túrgido de esperma, batia gostosamente na buceta dela
Ela de quatro e eu empurrando o pau calibroso no cu da moça
Minhas bolas soltas no espaço faziam poc, poc, poc, baixinho
Onomatopeia que precede um banho de porra


Tirei meu “caralho elegante” do ânus dela e gozei
Gozei em suas costas e bunda
Todas devidamente meladas com meu leite condensado
E pensei em Machado de Assis:
o melhor método contraceptivo para evitar crianças a mais no mundo
é gozar fora da mulher, em cima dela
Toda, pura e cheia de desejo

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tez (poesia)




A pele da cabocla parece um cupuaçu maduro de tão morena
Fruta respingada de orvalho leve
Gotas que se desfazem ao toque da mão sobre seus pelinhos


O sabor e o olor da pele dela devem ser uma maravilha
E quedo-me salivando imaginando as sensações
Que minha boca, lábios e língua
Provocariam sobre sua tez


Das palmas das mãos aos mamilos
Do seu pescoço encharcado de suor aos seus lábios pequenos fumegantes
Úmidas mucosas com sabor do vinho do araçá
Toda a pele dela quer um macho a lamber-lhe, chupar-lhe, morder-lhe


Num átimo nossos olhares se cruzaram e ela abriu um sorriso
Sorriso de dentes acavalados
Medonhos
E eu, nesse mesmo átimo, pensei: “o ônibus dela podia chegar agora”
Eis que Deus atendeu minha vã prece 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Na boca (poesia)




Ao longe pela janela lá vinha ela
Linda, cabelos soltos e um gingado gostoso, mas não vulgar
A moça trazia entre os lábios um objeto rosa, fálico
E ela o chupava com uma voracidade
Como se fosse o último do mundo


Vi, de soslaio, ela raspando a língua dela – quente e macia –
Por sobre a superfície toda babujada do troço roliço
Até que fatidicamente ela me viu a espiar
Daí que ela passou os dentes e deu uma de glutona
Chupando e engolindo completamente o pirulito