terça-feira, 24 de abril de 2012

Bukowski como poeta ou como prosista? (poesia)




“What do you want for breakfast?” (C. Bukowski, do poema “You”)


Resposta hype à pergunta feita lá em cima, no título:
Eu prefiro beber num puteiro.


Das duas opções acima, tanto faz uma como a outra. Mas eu ainda reitero a minha alternativa. (é óbvio que tento manter o hype. Isso de hype é charmoso e pode render uma trepada por aí).


É fácil ficar falando sobre bebedeiras e porres e putas baratas quando se lê um continho do Bukowski. Depois que você mergulha no universo da poética do ‘safado’, tu mudas sua opinião: ou se gosta muito mais do Velho do que outrora ou se o odeia.


Eu adoro.

terça-feira, 20 de março de 2012

Hot (poesia)


Emanando calor, o corpo dela pede beijinhos
E mordidas na barriga e nas nádegas
(para arrefecê-lo)


Depois de nos consumarmos em desejos
Eu fazendo peso nela
Sentindo nossos suores se misturando
E aquele cheiro de feromônio de fêmea
Pedindo-me para ficar mais um pouco
Fazendo eu peso nela


Sei que os 7.500 BTU's do meu aparelho condicionador de ar
Não estão dando conta da quentura que do seu corpo sai
E você, deitada em cima do meu peito, dorme um sono gostoso e profundíssimo
Ressonando cada momento de êxtase que vivemos eu dentro de você e você dentro de mim


Dos prazeres o melhor: você
Dos sabores o mais gostoso: seu suor rescendendo à sexo
Dos sentidos aquele que deveria me incomodar, mas que nada, adoro-o:
Os calores que você me causa e
A sensibilidade táctil da sua pele fazendo-me ficar cada vez mais quente

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Só os gays sabem amar (poesia)


Heterossexuais tem receio babaca de falarem para seus cônjuges “te amo”
Como se amar alguém fosse uma coisa do outro mundo
Um evento histórico ou sobrenatural


Não! Não existe segredo
Amar uma pessoa é saudável, é factível
E é (ou deveria ser) ato comum
Mas os casais de meninos e meninas postergam dizer ao máximo “te amo”


Amem e sejam amados
Sem receios e sem medo de cair com a cara no chão
Levar um não
Levar um “se foda”


O amor é ato tão banal
Se esconde nas entrelinhas que nem nos apercebemos dele
Bukowski amou Nina quando pediu a ela para aparar as unhas dos dedos dos pés dele
Romeu também Julieta com a mesma intensidade
Eu te amo


A grande conclusão que tiro disso tudo
É que gays amam de forma irascível, de uma maneira carnal
Como o amor deve ser amado, executado
Sem frescuras, sem se pedir ou se anunciar
Os gays colocam todas suas expectativas num amor
Que pode durar alguns minutos ou anos a fio


Sem temer o pior
Eles vivem
Simplesmente assim
Só os gays sabem amar

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fruta (poesia)


Seu exsudor, seus exsudatos
Do gosto, do sabor maravilhoso
De você todinha em minha boca


Sua boca, seu pescoço, sua nuca
Suas costas, suas pernas, seus dedos
Suas coxas, suas nádegas, sua vulva
Vulcão


“Saliva e suor para dessedentar-me de você”
Assim eu já dizia em uma outra poesia
O gosto do seu beijo é viciante
O gosto das lambidas de gato pornográfico que dou no seu corpo coberto com seu suor
Excita e aumenta meus desejos


Mas o melhor dos seus sabores emana de lá
De onde eu sinto o sabor do vinho do araçá:
- levemente ácido e doce ao mesmo tempo -
Um estupor de delícias na minha língua

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A fábula do jegue (fábula)


Aqui tenho uma fábula sem moral. O legal dessa estória é que o leitor pode dar, seguindo seus sentidos multi-interpretativos, o tom que ele quiser à moral. Sem mais delongas, ei-la:


No alto sertão Nordestino, idos dos anos vintes do século XX, um homem estava sem ter uma mulher para si há quase um ano. O homem estava na maior secura. Eis que no afã de ele tentar encontrar uma mulher o coitado, frustrado por seus respectivos insucessos, vê um jegue ao pé de um cercado. Ele vê o jegue até jeitosinho e sem aquele pudor zoólogo, decide ir foder o cu do animal. O rapaz olha prum lado e pro outro se certificando que não há viva alma a passar por ali, baixa suas calças, levanta o rabo do jegue e empurra o pau com toda a força no bichinho. O jegue que não é bobo, quando sente a metade do pau entrar em seu cu, trava-o com toda a força e prende o rapaz afoito grudado aos quartos do animal. Começou o vai-não-vai e a agonia do homem querendo se desvencilhar do rabo asinal. Eis que o cara pensou: se o jegue aliviar o cu eu tiro meu pau daqui. Mas ao mesmo tempo o animal pensava: se eu aliviar o rabo ele arrocha o resto do pau dentro de mim. Eis que temos o impasse criado. O impasse do jegue onde fez-se um jogo psicológico no qual nenhuma das partes, a fodida e a fodedora, quiseram render-se. E dizem que o rapaz viveu o resto da sua vida preso ao cu do jegue.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Inversão Kafkiana (poesia)



Como na manhã do polonês, acordei de um sonho sudorento e nebuloso
Acordei-me transsexuado em uma mulher
E C transsexuada em macho


Mil insetos me mordam – e isso não é referência à novela do polaco –
Mas que encanto é esse?
Eu acordar como Vênus, ver C como Vulcano
E desejar que ela me fizesse seu?


Inexorabilidades à parte
Os desejos são comuns aos dois gêneros: homem e mulher
Ambos querem estar sexuais
Sempre mais
E eu senti um calor emanar das entranhas do meu baixo púbis
- transmutado em vulva –
Querendo C em mim, toda e plena com seu falo em riste
Quiça esse seja um desejo diminuído
- talvez triste –
Mas deliciosamente profano como um sussurrar quente
Que todos queremos nos nossos ouvidos


Franz Kafka e sua psicologiazinha
Não bastam para explicar meu desejo de ser rasgado por C
Não de forma racional – se bem que o limite do racional deixa de existir –
Sei que tratei de acordar C para consumar meu desejo
Mas ouvi uma voz grosseira e retumbante emanar de sua garganta
Dizendo assim: deixa eu dormir mais um pouco, pô

domingo, 25 de dezembro de 2011

“Bate outra vez” (poesia)



Hoje nasceu Jesus
Mas sou ateu e pornógrafo
Para mim nada de natal etc.
Para mim quero duas dela, uma por frente e outra por trás
Deliciosamente num ménage à trois: eu nela e ela em mim, loirissimamente deliciosa


Quanto mais agudo o meu desejo por ela fica
Mais oblíquo e obscuro e sujo e lambuzado e frenético ficam meus sentimentos por ti
Ela duplicada. Duas dela para nutrir meu desejo guloso.
Eu profanando o ouvido de uma delas com palavras de baixo calão
Ao mesmo tempo em que profano, numa deliciosa siririca, sua vulva dourada
E, é claro, sendo profanado pelo cu pela outra
E chupado e sugado e o esperma exaurido pela sucção da boca de quem me come o rabo
Delícias que só duas mulheres como ela podem proporcionar


Claro que isso é um onirismo idílico
Onirismo onanístico
Ela sozinha já saciaria minha sede por mulher
Duas dela, então, seria orgasmático demais
Morreria afogado, engasgado com muita água
Mas morreria feliz, felicíssimo
Com uma roseira trepando em mim

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Porque ouvir Madame Saatan? (resenha)



Costumo falar que ouço muito pouca música cantada em outras línguas que não o português. Por duas razões: não sou fluente em uma língua que não a vernácula e acho as construções poéticas feitas em inglês, principalmente, muito pobres. De modo que só ouço música cantada em não-português se a parte instrumental for muito boa. Exemplos há: metal (de uma forma bem genérica), post-rock (Sigur Rós, mais especificamente, que cantam em um dialeto que só a banda entende) e óperas (italiano, alemão etc.).

Nesses casos supracitados pouco me importa se o cara (ou mulher) tá cantando um ode de louvação ou mandando eu ir me foder, pois sendo o instrumental bom demais e o vocal agradável (a parte solfejada), eu nem faço questão de traduzir a letra que está sendo cantada.

Eis que uma banda do Brasil, a Madame Saatan (originalmente de Belém do Pará) me conquista mais e mais a cada audição. Madame Saatan faz um rock muito bem executado, com bateria (Ivan Vanzar) e baixo (Ícaro Suzuki) com pegadas pesadas e mãos firmes. A “cozinha” que se espalha por todo o resto da casa. A guitarra comandada por Ed Guerreiro é a síntese do metal. Nada tem de ritmos regionais (tem lá no fundo, mas muito no fundo mesmo). Sinto que na base e nos solos, Ed Guerreiro, cresce a cada acorde, a cada riff. A vocalista, Sammliz Sam, tem uma voz equilibradíssima, grave com suavidez feminina (sem ser grossa, sem ser afrescalhada) e o melhor: ela compõe e canta em português. E aí o motivo principal do porque principal de se ouvir Madame Saatan: devido a boa entonação do vocal, a gente consegue entender toda a letra sem ter que recorrer a um encarte. E melhor ainda: há inteligência nas letras. E melhor ainda ainda: vc, caro leitor, pode baixar o último álbum da banda Madame Saatan (Peixe Homem) de graça, no site da banda, sem pirataria e sem quebrar direitos autorais. Em: http://madamesaatan.com/

Não vou tecer comentários sobre esse disco (que eu achei, simplesmente, do caralho). Deixo o leitor fazer vosso comentário, balizado e sem pressões.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Siririca (poesia)

p/ P.



A palavra remete à imundície sexual?
Quem disse isso?
SI


Aliterações que nos levam a um plano imagético pleno
O entra e sai dos dedinhos
O roçar masturbatório num eterno rendez-vous ligeirinho
RI


Não consigo ver palavra que represente melhor um ato
- comum e banal -
Porque então relegar a essa palavra tão bela (“inculta e bela”)
um destino marginal?
RI


Acho que o ato por si só se justifica
Sem se precisar de palavra pudica
Fico com a sujeira deliciosa de se dizer
Que homem bate punheta e mulher bate siririca
CA


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ode (poesia)


Ode à galhada do veado
Fodam-se os maridos traídos e que dão showzinho
    - que se fodam - em uma foda triple

Traição só ocorre quando algo não vai bem, certo?
Não. Afinal, o que é traição?


Fodam-me o cu ao ver uma porra dessas:
A mulhera chorar por um cara que a humilha e a depaupera
Em via pública, com a gurizada a apontar, zombeteiramente, que ali há um corno


Engraçado é que o homem se exaspera
Como se ele fosse detentor da razão absoluta
Pois pare de tratar vossa mulher de modo vil, como uma puta
Ouça Chico Buarque - puta dum clichejaço -
Subvertenha a espera pela confirmação do chifre
E vá viver sua vida, plena e resoluta


Ode aos poetas, artistas metalinguísticos, que se escondem sob a capa de cientistas
E que produzem coisas belíssimas como “Cravo branco”
- que é um ode máximo à “traição”; coisa Shakeaspereana -
    E que quase me remete ao que presenciei ontem à noite:
    Por pouco eu não via com meus olhos verdes que a terra há de comer
    O careca levar um tiro do jovem que tirou “Nina, aquela puta safada” dele.