quinta-feira, 31 de março de 2011

Só para você (poesia)


De blusinha roxa com lacinhos
As costas aparecendo
E os babados drapejavam ao bel sabor do sacolejar da moto onde ela estava
    - na garupa, obviamente -
    E ela se arrebitava toda e arqueava a bunda para cima
    Deixando o cós da calcinha à mostra
    Bem como um pedacinho da tatuagem
    Imprimindo sobre seu cóccix algo como:
    “Só para você”


E eu quedava-me a imaginar quem seria o VOCÊ
Você é pronome de tratamento. Mas poderia ser substantivo
No caso da tatuagem poderia ser um José ou um João
Que de modo sorrateiro apoderavam-se do princípio da tatuagem e logo estavam
A inundar de porra o cu da mocinha de camisetinha púrpura
O provável “você” da hora que pilotava a moto
Pedia para ela parar de se portar como uma puta
E ela nem aí para ele


Quando nossos olhares se cruzaram, percebi que ela percebera
Que eu notara sua tatuagem
    - e queria eu ser o “você” da vez -
    Ela, num gesto vulgar, levantou-se mais que pode
    Deixando o início das nádegas para fora e o resto do desenho despido


Nessa hora passei a primeira marcha e arranquei com meu carro
Mas nos segundos que a contemplei
Não pude deixar de me imaginar agarrado às suas ancas
Pegando-a de quatro como uma potra
E esporrando em abundância logo abaixo da seta
Que completava a tatuagem

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tetas balançantes (poesia)


Quão difícil será poetar nessas pobres linhas a partir de um título desses?
Que se poetem sobre amores, paixões, ódios, invejas ou ciúmes. Mas para se poetar sobre tetinhas (e balançantes ainda!) tem que se ter muito tino e cuidado.


Aliás, tetas é substantivo para o uso de mamíferos quadrúpedes. Refiro-me aos seios não mais pueris, pós-ninfetal. Seios de mulheres já formadas. E que ao sabor de uma corridinha leve e descompromissada tremelicam sob a blusa folgada e embalam os sonhos mais sórdidos da minha boca chupando-os.


Voltemos à dificuldade poética de se arcabouçar um poema a partir de um título pasteurizado como esse meu: Bukowski conseguiria, acho eu, fazer desse um belo poema. Já Rimbaud, não, por pura exacerbância de um espírito religioso em voga na época que não deixaria nem os leitores mais sacanas lerem tal tipo de escrito apócrifo.


Antes de chupá-los, bolina-se-os. E num gostoso vai e vem com as mãos se sente a textuta delicada dos mamilos e da auréola. A essa altura já estou a imaginar o formato dos seus seios trepidando sobre o tecido de sua veste, subindo e descendo. Mas firmes e rijos tal como a temperância do orgulho de Santiago de O Velho e o Mar. Bólidos que eu já imagino açambarcando meu pênis.


E a dificuldade continua. Vou largar de mão esse título imbecil e tentar algo mais pornograficamente vendável. E eu penso nos poetas que ficaram ricos com poesias: nenhum. E eu me volto à sórdida ideia de construir nas entrelinhas da minha mente e de meu coração, o poema sobre as tetinhas balançantes. Ops... tarde demais. Em minhas elucubrações eu acabei de gozar no queixo dela ao final de uma espanhola

segunda-feira, 21 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Uísque & Cigarro (poesia)


Inebriar-se com estilo é arte
Assim como destilada arte é tirar alma do malte
On the Rocks, por favor
Mas sem gelo picado, fragmentado
Ele (o gelo) deve vir aos cubos, sólidos como o Santiago do Hemingway

.

E eu a vejo duas vezes por dia: uma vez quando eu saio e outra quando eu chego
Ela é magérrima, mas magra de aspecto doente
E, lacônica, ela chupa o bastãozinho
E como que por encanto, uma brasinha chispa baixinho e a fumaça verte pela boca
E pelas narinas dela

.

A nossa alma é que nem o Scotch com gelo
No início é quase pura, mas depois fica tudo com um gosto insípido de porra nenhuma
E temos vontade de acabar com aquela peleja aguada
De uma só vez, com um só gole

.

A fumaça me atiça as narinas
Mas hoje em dia é blasé dizer que se gosta de cigarro
Desconheço, fora sexo oral, algo que produza sensação de bem estar em cinco minutos
E quanto à mulher fumante, presença fugaz na minha rotina
Há duas semanas não a vejo
Soube que ela teve um câncer aí

.

Postumamente, hoje à noite, em homenagem a ela
Carburarei bom tabaco e beberei Grants

quinta-feira, 10 de março de 2011

Punheta para Nabokov (conto)


A cara icônica da Hello Kitty estampada como pequenos micro-adesivos sobre suas unhas denunciava que ela tinha pouca idade: no máximo 16 anos. Mas quem quiser se iludir que se iluda. Dora era uma mulher já feita e esculpida desde que fizera 14 anos. Ela agora tem 15. Mas quando falo em mulher esculpida me refiro ao corpo somente, pois a cabeça de qualquer pessoa aos 15 anos não passa de uma gigantesca folha A4 em branco.


Seios, bunda e pernas capazes de saciar muitos homens. Ah, Dora que povoa nossos sonhos. Dora que lembrava Dinaura, lacônica personagem do Milton Hatoum: um fantasma fortuito que me assombrou por dois minutos num ponto de ônibus e agora reverbera em meus sonhos mais profundos. Doce cunhatã que na sua fase pueril já encanta todos os homens do mundo. Mas que sabemos todos que aos 30, desprovida de inteligência e de cremes e pós para a pele, não encantará mais ninguém.


Pedofilia é ato e fato. Imaginar-me fartando-me nos seios de Dora, afundando minha língua entre seus lábios, estocando minha espada de esperma e sangue nela por inteira não é pecado, pois não há ação. Há intenção apenas. Intenso desejo que nutro por ela, imaginando seu corpo todo durinho, mas cheio da brasa que queima e faísca ao mínimo toque, à passada da ponta ríspida da minha língua no bico dos seus seios, ao arfar da minha respiração curta e entrecortada bem no meio das suas pernas.


Depois dessa cavalar dose de tesão já penso em quão úmida deva estar Dora. Pronta para mim como se fala “venha me fazer mulher”. E o ardor que sinto quando aos poucos vou comprimindo-lhe os lábios pequenos e grandes com minha vara é indescritível. Mas sinto que não encontrei nenhuma barreira na penetração. E ela fala “ops, acho que foi da vez com Carlos que perdi a inocência”. Pensei “grande putinha, hein”. Ela pareceu advinhar meus pensamentos e começou a afundar-se de forma completa em mim. Em ritmantes vais e vens gozamos juntos.


Desejar uma menina (com pouca idade, mas mulher) é símbolo de intolerância na nossa sociedade ocidental. Por isso que eu gosto do Russo que deliciou a mente dos cidadãos enrustidos que desejam as Doras dos pontos de ônibus, que as fodem com o conscentimento safado dessas mesmas meninas nada pudicas e se deliciam em masturbações por quem eles não podem foder. Eis que passado o curto espaço de tempo que se decorreu de quando eu vi a plácida Dora esperando seu ônibus chegar, despi-me dos preceitos e preconceitos de nossa sociedade, refujiei-me em meu mais sórdido íntimo e em nada pueris punhetas, sentado à privada do meu banheiro, tornei a menina em mulher, mandei ela esquecer o tal Carlos, fodi-a de tudo que era jeito e maneira e por fim, regozijado, esporrei em sua boca inundada de saliva. No fim de tudo, abraçamo-nos e eu lhe disse “te amo”.

terça-feira, 1 de março de 2011

Baterista (poesia)


Do menino o sonho: queria tocar bateria em uma banda de rock and roll
Do sonho à ilusão desfeita: esse menino cresceu e aleijava-se aos poucos
Uma neuropatia e só: aos 13 anos as pernas paralisadas


Quando cavalgava a cadeira-de-rodas no incício da puberdade
Já não mais bumbava nem fazia os cimbales chisparem chiados
- os pés já não deixavam -
Mas ele tinha braços bons que socavam com uma brutalidade gostosa
Os ton-tons, a caixa e os pratos de ataque
E a música, embora pessimamente mal executada, ressoava como um terápico
E os vizinhos de R nem se importavam com a barulheira
    - que eles sabiam que seria finita -


Lá pelo final da adolescência, R ainda sustentava seu sonho de ser rockstar
E nem seus familiares se atreviam a dar ao rapaz o terrível prognóstico
E eis que os punchs nas peles já não eram tão poderosos assim
Os braços de R começavam a fraquejar
Ele começava a sentir que seu sonho começava a evanescer
    - como éter em contato com o ar
    que causa um estupor mental e TRANSTORNA tudo em realidade -


Mas o sonho de R se realizara
Não como ele havia arquitetado, claro
Mas uma pequena multidão o carregava ao som do mais pesado rock
E a multidão o deixava em cima do púlpito
Onde ele, R, imortalizava-se
E duas baquetas VicFirth® cruzadas por cima do seu corpo inerte
Envolto em flores, dentro de um caixão, onde se lia numa plaquinha:
“Aqui jaz R, 22 anos. Grande amante da música”